As coisas a tratar aqui<br>e o Português
Os factos a partir dos quais estes pequenos textos são elaborados vão sendo colhidos de forma mais ou menos explícita no que por aí me vai chamando à atenção. A maior parte das vezes são factos sustentados em textos publicados na imprensa escrita ou em afirmações proferidas nos media falados - podendo essa fala ser acompanhada ou não de ilustração vídeo, isto, é ter sido proferida na televisão ou na rádio. Por vezes, essas coisas são respigadas de acontecimentos que nem sequer mereceram tais honras. Com frequência ainda, os factos que me vão chamando a atenção são publicados em órgãos de «pouca» circulação - em órgãos especialistas ou em órgãos mais ou menos segregados devido à sua linha política - ideológica ir contra a corrente de domínio das sociedades - ou, tendo sido referidos em órgãos de «grande» circulação, foi-lhes conferida a menor relevância possível, inclusivamente foram enquadrados nos órgãos de comunicação social de forma a ser-lhes alterado o significado.
De qualquer forma, para se poder falar de factos - e mais, sobre eles argumentar e opinar - é necessário que esses factos, para além de terem acontecido, sejam conhecidos e estejam razoavelmente documentados. Além disso, quanto mais conhecidos os assuntos forem do «público-alvo» do texto que se desenvolve, menos longa e circunstanciada tem de ser a sua introdução, o que num texto que se quer limitado, torna possível uma utilização mais alargada da parte relativa à argumentação e ao comentário. E tudo isto independentemente do grau de «autonomia versus entrelaçamento» com que nos textos são desenroladas as duas vertentes, ou seja, a introdutória e a argumentativa.
Ademais, deve ser considerada a questão da(s) área(s) temática(s) a abordar nos textos. Estando esta(s) acertada(s) com alguma flexibilidade - no meu caso, para esta coluna, actualmente elas são duas: C&T e Comunicações, mas tenho andado por outras -, a tarefa de encontrar o assunto está algo focada; ou seja, não tens que andar em busca aleatória de matéria para cronicar. É como se tivesses um mandato que te ajuda a não descarrilar, a não divagar. Sobretudo ajuda-te a não cair na armadilha do diletantismo, o que em particular é importante se a tua força para o evitar não for grande coisa. Não o evitas completamente, é verdade, mas podes reduzir bastante a sua ocorrência. De qualquer modo, mesmo numa situação assim orientada, as fronteiras que os temas apresentam permitem uma grande latitude nos assuntos a abordar.
Por outro lado, a própria disciplina que decorre do hábito de focar as escolhas dos assuntos conduz com frequência ao tratamento repetido de uma matéria, segundo múltiplos ângulos, por vezes mal se distinguindo uns dos outros, mas permitindo construir nuances reveladoras de aspectos que, de outra forma, dificilmente seriam revelados. È o que nos últimos tempos tem acontecido com o tema do «plano tecnológico», ou, para remontarmos às suas origens eleitorais, do «choque tecnológico». E, no caso deste texto, quem o escreve estava a apontar para este assunto: um texto a ser desdobrado a partir de uma crónica recente de Vasco Pulido Valente no Diário de Notícias. Um texto sobre Ciência, sobre Tecnologia, e sobre a afixada paixão do Primeiro-Ministro por estas áreas para fazer Portugal avançar! Um texto bem escrito, com verdades expostas de modo claro, mas a inculcar certas opiniões com que não posso concordar e, por isso, a merecerem um argumentar nesta secção.
Mas a vida tem destas coisas. A querer eu disciplinar-me, a encontrar um assunto das «minhas» áreas, a começar a desenrolá-lo, e os dedos a fugirem-me para outro assunto «imposto» pelo que acabava de ouvir na rádio. Assunto chegado através de um indignado protesto de uma professora de Português, um protesto, subscrito já por mais de 3000 assinaturas, contra os exames de Português do 12.º ano para este ano. Prova que, em vez de solicitar respostas de interpretação pelas quais os alunos desenvolvem textos, as perguntas deverão ser respondidas pelo famoso método de apor «cruzinhas». Quer dizer, do «saber ler, escrever e contar», antes objectivos para a instrução primária, querem riscar agora o «saber escrever» como objectivo para terminar o secundário. Talvez - digo eu - porque saber escrever, que implica sempre o saber ler, e vice versa, seja demasiado perigoso para o controlo de uma sociedade que ficaria a tudo muito melhor entender.
E que tal considerar esta questão no âmbito do «plano tecnológico»?
De qualquer forma, para se poder falar de factos - e mais, sobre eles argumentar e opinar - é necessário que esses factos, para além de terem acontecido, sejam conhecidos e estejam razoavelmente documentados. Além disso, quanto mais conhecidos os assuntos forem do «público-alvo» do texto que se desenvolve, menos longa e circunstanciada tem de ser a sua introdução, o que num texto que se quer limitado, torna possível uma utilização mais alargada da parte relativa à argumentação e ao comentário. E tudo isto independentemente do grau de «autonomia versus entrelaçamento» com que nos textos são desenroladas as duas vertentes, ou seja, a introdutória e a argumentativa.
Ademais, deve ser considerada a questão da(s) área(s) temática(s) a abordar nos textos. Estando esta(s) acertada(s) com alguma flexibilidade - no meu caso, para esta coluna, actualmente elas são duas: C&T e Comunicações, mas tenho andado por outras -, a tarefa de encontrar o assunto está algo focada; ou seja, não tens que andar em busca aleatória de matéria para cronicar. É como se tivesses um mandato que te ajuda a não descarrilar, a não divagar. Sobretudo ajuda-te a não cair na armadilha do diletantismo, o que em particular é importante se a tua força para o evitar não for grande coisa. Não o evitas completamente, é verdade, mas podes reduzir bastante a sua ocorrência. De qualquer modo, mesmo numa situação assim orientada, as fronteiras que os temas apresentam permitem uma grande latitude nos assuntos a abordar.
Por outro lado, a própria disciplina que decorre do hábito de focar as escolhas dos assuntos conduz com frequência ao tratamento repetido de uma matéria, segundo múltiplos ângulos, por vezes mal se distinguindo uns dos outros, mas permitindo construir nuances reveladoras de aspectos que, de outra forma, dificilmente seriam revelados. È o que nos últimos tempos tem acontecido com o tema do «plano tecnológico», ou, para remontarmos às suas origens eleitorais, do «choque tecnológico». E, no caso deste texto, quem o escreve estava a apontar para este assunto: um texto a ser desdobrado a partir de uma crónica recente de Vasco Pulido Valente no Diário de Notícias. Um texto sobre Ciência, sobre Tecnologia, e sobre a afixada paixão do Primeiro-Ministro por estas áreas para fazer Portugal avançar! Um texto bem escrito, com verdades expostas de modo claro, mas a inculcar certas opiniões com que não posso concordar e, por isso, a merecerem um argumentar nesta secção.
Mas a vida tem destas coisas. A querer eu disciplinar-me, a encontrar um assunto das «minhas» áreas, a começar a desenrolá-lo, e os dedos a fugirem-me para outro assunto «imposto» pelo que acabava de ouvir na rádio. Assunto chegado através de um indignado protesto de uma professora de Português, um protesto, subscrito já por mais de 3000 assinaturas, contra os exames de Português do 12.º ano para este ano. Prova que, em vez de solicitar respostas de interpretação pelas quais os alunos desenvolvem textos, as perguntas deverão ser respondidas pelo famoso método de apor «cruzinhas». Quer dizer, do «saber ler, escrever e contar», antes objectivos para a instrução primária, querem riscar agora o «saber escrever» como objectivo para terminar o secundário. Talvez - digo eu - porque saber escrever, que implica sempre o saber ler, e vice versa, seja demasiado perigoso para o controlo de uma sociedade que ficaria a tudo muito melhor entender.
E que tal considerar esta questão no âmbito do «plano tecnológico»?